ROTA 3

De Höxter a Eisenach

Nossa terceira rota pelos patrimônios da humanidade da Alemanha é marcada pelos tesouros religiosos protegidos cuidadosamente por séculos, e por tesouros mundanos, que foram perdidos com o passar do tempo.

Começamos em Höxter, na abadia e castelo de Corvey. Há 1200 anos, o local é um centro da fé cristã. A parte mais antiga da abadia é uma fachada carolíngia, chamada Westwerk. Aqui já rezavam os imperadores e reis francos. O Westwerk foi construído entre 873 e 885. Vestígios arqueológicos comprovam que até o século 12 a abadia era cercada por um povoado. Os subterrâneos da cidade medieval Civitas Corvey estão praticamente intactos. Hoje, a abadia é um castelo. As celebrações religiosas acontecem na igreja barroca do complexo. A Civitas Corvey e a Westwerk são patrimônios da Unesco desde 2014.

Não foi a fé que estimulou nosso próximo destino, mas sim a busca por melhores condições de trabalho. O prédio da fábrica Fagus em Alfeld, onde são produzidos moldes para calçados desde 1911, foi idealizado por Walter Gropius e é a primeira arquitetura industrial moderna do mundo. A fachada de vidros torna o interior da fábrica claro e elegante. Gropius queria criar um ambiente de trabalho saudável sob o ponto de vista social. A ideia foi aceita pelo empresário Carl Benscheidt. E deu resultado: o número de acidentes de trabalho caiu consideravelmente. O prédio da fábrica tornou-se patrimônio da humanidade em 2011.

A viagem segue para Hildesheim, na Baixa Saxônia. Em 1985, duas obras-primas da arquitetura românica foram declaradas Patrimônio Mundial na encantadora cidade universitária: a Catedral e a Basílica de São Miguel, assim como as obras de arte que pertenciam a elas. A basílica, uma construção com torres arredondadas e outras de formas retas, é chamada de "castelo celestial" pelos moradores locais. Ela é atração no centro histórico desde 1022. Um elemento único dentro da basílica é o monumental afresco no forro de madeira. Com cerca de 30 metros de comprimento, ele representa a genealogia de Cristo. A construção da catedral de Hildesheim foi encerrada em 1061. E ela é sede de tesouros de arte famosos feitos de bronze. Há uma característica especial até nos jardins: uma roseira de mil anos. Ela é considerada um marco da cidade de Hildesheim e foi imortalizada em numerosas lendas.

Seguindo nossa rota em direção ao leste, podemos observar as riquezas da era pré-industrial em Goslar. Conta a lenda que, enquanto esperava pelo seu cavaleiro, chamado Ramm, um cavalo impaciente tanto arranhou o chão com seus cascos que expôs um veio de minério. Realmente, a antiga cidade imperial de Goslar viveu da mineração por mais de mil anos. Ainda hoje, no patrimônio da humanidade Rammelsberg, podem ser vistos os montes que sobraram da mineração do século 10º. Uma prova da riqueza trazida pela mineração são os prédios do centro histórico de Goslar, como a prefeitura em estilo gótico ou o prédio Gildehaus Kaiserworth. Em 2010, foi incluído na lista da Unesco uma invenção que havia ajudado os mineiros em seu trabalho: o sistema de gestão hídrica do Alto Harz. O elaborado sistema hídrico do século 13 reúne números recordes: 107 lagos, 310 quilômetros de fossos e 31 quilômetros de cursos de água. Isso faz do sistema de gestão hídrica do Alto Harz um dos maiores sistemas de abastecimento de energia do mundo pré-industrial.

A 60 quilômetros de Goslar, fica Quedlinburg, outra importante cidade fundada na dinastia otoniana. No topo da colina Schlossberg, o rei Henrique 1º fundou a Igreja de São Servatius, consagrada em 1129. Ela é uma obra-prima do estilo românico, nomeada patrimônio da humanidade em 1994, assim como o centro histórico de Quedlinburg – praticamente fechada a automóveis. Mais de duas mil casas em enxaimel de seis séculos fazem do centro histórico o maior memorial em extensão da Alemanha. O cenário medieval repleto de lojas e pequenos restaurantes atrai mais de um milhão de turistas a cada ano.

Nosso último destino nesta rota é Eisenach. Aqui fica o Castelo Wartburg, que desde 1999 está na lista de patrimônios mundiais. A este castelo carregado de história associa-se antes de tudo o nome do reformador Martinho Lutero. Quando foi excomungado pelo papa e considerado "fora da lei" pelo imperador, Lutero refugiou-se no Castelo Wartburg sob a identidade de "fidalgo Jörg“, em 1521, e lá criou um tesouro da fé em apenas 11 meses: traduziu o Novo Testamento para o alemão, utilizando a antiga versão grega como base. A sala Lutherstube no Castelo Wartburg transformou-se em local de peregrinação e turismo pouco após a morte de Lutero em 1546 – e permanece assim até hoje.