ROTA 2

De Angermünde a Eisleben

Nossa segunda rota nos leva por lugares marcados por mudanças radicais iniciadas na Alemanha e que contagiaram o mundo. Sejam exemplos da arquitetura moderna alemã ou personalidades da história da religião, como o precursor da Reforma protestante, Martinho Lutero.

A viagem começa, no entanto, em um patrimônio perto de Angermünde, pequena cidade a noroeste de Berlim. Do moinho Blumberg, um guarda-florestal nos guia pela margem da impenetrável mata natural de faias de Grumsin. Desde 2011, este parque florestal é patrimônio da humanidade, junto com outras quatro florestas: o Parque Nacional Jasmund, a floresta de faia de Serrahn, o Parque Nacional de Kellerwald-Erdsee e o Parque Nacional de Hainich.

Seguindo viagem, chegamos a Berlim. Começamos nosso tour nos seis conjuntos habitacionais modernos que desde 2008 pertencem à lista da Unesco. Você vai precisar de bastante tempo para visitar todos eles, já que estes modelos tão discutidos e adotados internacionalmente estão espalhados por sete bairros da capital alemã. Como alternativa ao design monótono da época, foram criados complexos habitacionais modernos entre 1913 e 1934: Cidade-Jardim Falkenberg, Conjunto Habitacional no Schillerpark, Complexo Habitacional Carl Legien, Conjunto Habitacional Britz – famoso pela sua construção em forma de ferradura (Hufeisensiedlung) –, Weisse Stadt e Conjunto Siemensstadt. Este último, único na Europa, reuniu celebridades da Nova Arquitetura: Hans Scharoun, Hugo Häring e o criador do Bauhaus, Walter Gropius.

A Ilha dos Museus, patrimônio da humanidade desde 1999, aparece como contraponto arquitetônico neste cenário. Sua história começa em 1830, com o projeto neoclássico do Museu Antigo (Altes Museum), de Karl Friedrich Schinkel. Somente os mais renomados arquitetos têm permissão de construírem na Ilha dos Museus, um dos centros de arte mais importantes da Alemanha, com obras de seis milênios. Um deles é David Chipperfield, que uniu tradição e modernidade na reforma do Novo Museu (Neues Museum) em 2010.

A 100 quilômetros da capital alemã fica nosso próximo destino, Wittenberg, palco da Reforma. Vale a pena ir à igreja Stadtkirche em onde Martinho Lutero fez suas pregações. Visitar os memoriais de Lutero no centro histórico da cidade é como estar em um museu a céu aberto. O tour começa na Lutherhaus, um antigo mosteiro agostiniano em que o monge e professor Lutero morou desde 1508, e nos leva até a Schlosskirche, em cuja porta, em 1517, Lutero fixou suas 95 teses com críticas à venda de indulgências pela Igreja Católica e que levaram à fundação da Igreja Evangélica Luterana.

Próxima parada: Dessau. Foi aqui que o arquiteto Walter Gropius inaugurou a escola de arte Bauhaus em 1925. O que era produzido e estudado na Bauhaus influenciou a arte, o design e a arquitetura. O prédio da escola e as "casas dos mestres", com seu interior colorido, são ícones da modernidade e patrimônios da humanidade desde 1996. O fundador da Bauhaus teria dito certa vez: "colorido é minha cor predileta". Também em Dessau fica a Kornhaus, um prédio menos conhecido de Gropius, que hoje funciona como restaurante, enriquecendo a Reserva da Biosfera do Vale do Elba.

Nossa última parada é Eisleben, patrimônio da humanidade desde 1996, assim como Wittenberg. As duas cidades conectam-se pelo legado de Martinho Lutero. Ele nasceu em 1483 em Eisleben e também morreu lá, em 1546. Suas críticas à Igreja Católica e a tradução da Bíblia para o alemão, algo considerado heresia na época, encontraram seguidores, levando à Reforma da Igreja e à criação da Igreja luterana.