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Do Mar de Baixio a Stralsund

A viagem começa em um mundo de extremos: o Mar de Baixio ou Mar de Wadden. Esta paisagem estende-se por mais de 10 mil km2 na costa do Mar do Norte, com ilhas como as Halligen, em que somente as partes mais altas ficam visíveis durante uma forte maré. A cada hora, a paisagem deste mar muda, pois pelo menos duas vezes ao dia o nível da água eleva-se de dois e meio a três metros. Só assim os navios conseguem transitar entre as ilhas e a costa. Para a nossa viagem, essa é uma informação importante, pois é na maré baixa que começa a verdadeira aventura. Pode-se explorar o lamaçal deixado pela maré de carruagem ou a pé, mas só acompanhado por um guia, por favor!

A próxima parada é Bremen, a primeira das cinco cidades hanseáticas em nossa rota. Criada na Idade Média, a Liga Hanseática foi uma aliança de cidades mercantis que estabeleceu um monopólio comercial sobre quase todo o norte da Europa e região báltica. Com meio milhão de habitantes, Bremen tem o status de cidade-estado e é a décima maior cidade alemã. Desde 2004, tem dois patrimônios mundiais: a prefeitura e, na frente dela, a estátua de Rolando. Ambas simbolizam o anseio do povo pela liberdade. O prédio da prefeitura espelha as diferentes fases do desenvolvimento social na cidade desde o século 15, o que a torna um local único na Europa.

Num dos portais da prefeitura está a estátua de bronze das figuras mais famosas da cidade: os músicos de Bremen, da fábula dos irmãos Grimm. Dizem até que passar a mão nas ferraduras do burro dá sorte.

Em 2015, Hamburgo teve duas áreas reconhecidas como Patrimônio Mundial da Unesco: o complexo Speicherstadt, na região portuária, e o bairro de Kontorhaus com sua Chilehaus. Em estilo gótico báltico, a Speicherstadt foi construída sobre estacas de carvalho entre 1885 e 1927 e é, hoje, o maior complexo de armazéns em extensão do mundo. Antigamente, o local armazenava produtos como café, chá, especiarias e tapetes persas. Nos últimos tempos, várias empresas de serviço têm se mudado para os armazéns. A Speicherstadt é cortada por vários canais, e, à noite, pode-se fazer um passeio de barco e desfrutar da iluminação com 1.100 lanternas.

O bairro de Kontorhaus fica ao lado da Speicherstadt, e foi lá que os comerciantes de Hamburgo construíram seus prédio de escritórios. O mais famoso chama-se Chilehaus, construído em 1924 no estilo do expressionista e cujo formato em cone lembra a proa de um navio.

Depois deste passeio, saímos do Mar do Norte e entramos no Mar Báltico, em direção a Lübeck, cidade também conhecida como a “rainha hanseática”. Lübeck entrou para a história como a primeira cidade no norte da Europa a ter seu centro histórico inteiro reconhecido como patrimônio mundial pela Unesco, em 1987. Este cenário histórico fica sobre uma ilha no meio da cidade, de onde chamam a atenção sete campanários. A antiga casa comercial, as residências, as vielas e os pátios da cidade são guardados pelo famoso Holstentor, o portão de entrada para o centro histórico, cujos muros possuem um metro de espessura. O Holstentor não simboliza apenas a cidade de Lübeck, mas a Alemanha como um todo. Nenhuma outra cidade hanseática possui silhueta tão marcante quanto Lübeck.

A cidade também se orgulha de seus conterrâneos Thomas Mann, Willy Brandt e Günter Grass, ganhadores do Prêmio Nobel. Cada um foi homenageado com um museu próprio na cidade. E não se esqueça de provar o marzipã, doce tradicional em Lübeck.

Não muito longe de Lübeck encontramos outra cidade hanseática: Wismar. Ela encanta com sua arquitetura em tijolos, o estilo primordial no norte da Alemanha. As imponentes igrejas e outros prédios importantes foram erguidos com os característicos tijolos vermelhos.

O título de patrimônio da humanidade foi concedido em 2002 tanto para Wismar, quanto para sua vizinha Stralsund, distante 150 quilômetros. Wismar e Stralsund são exemplos claros de cidades hanseáticas em seu auge no século 14. Os fundamentos medievais dos centros históricos de ambas as cidades permaneceram praticamente intactos. Wismar é a única cidade da Liga Hanseática que ainda mantém essa magnitude e unidade no sul do Mar Báltico.